Imagens chocantes - 28/05/2016, 09:41

Mulheres são presas acusadas de torturar, filmar e arrastar menor nua

“Eu não quero morar mais aqui”, disse a adolescente em entrevista. “Quero ir para um lugar bem longe, com minha avó, com meu pai”



Reprodução / WhatsApp Midi tortura Imagens de vídeos compartilhados pelo WhatsApp e Facebook mostram mulheres agredindo adolescente: à esquerda, menor leva uma paulada na cabeça; na sequência imagem mostra galo na testa por causa da pancada; depois, à direita, mulher arrasta garota

Duas mulheres foram presas em São Paulo acusadas de torturar e agredir uma adolescente de 15 anos e arrastá-la pelos cabelos nua pela rua da comunidade onde moram. As agressoras filmaram a tortura e divulgaram o vídeo pelas redes sociais, principalmente WhatsApp. O caso aconteceu há um mês. A menina, traumatizada, só pensa em ir embora do lugar onde mora.

“Eu não quero morar mais aqui”, disse a adolescente em entrevista. “Quero ir para um lugar bem longe, com minha avó, com meu pai”. Ela mora em uma casa humilde com a avó, a tia e o pai.

A avó dela pretende recorrer à Justiça para pedir que as mulheres acusadas de torturar sua neta a indenizem por danos morais. “Eu quero Justiça. E quero que indenize minha neta”, falou.

Segundo a polícia, Antonia Raniele Vieira da Costa, de 22 anos, e a amiga dela, Lindineia Lopes Vieira, de 23, foram presas. As filmagens feitas por celular mostram as duas xingando e agredindo a garota como punição por ela ter namorado o marido de uma delas quanto tinha apenas 13 anos. As agressões ocorreram no dia 28 de abril na laje de uma casa e depois nas ruas próximas.

O marido de Antônia tinha 26 anos à época do namoro com a adolescente. Segundo a avó da garota, ele ainda escondeu da estudante que era casado. Atualmente, o homem está preso por roubo a banco. O Código Penal proíbe a prática de sexo ou outro ato libidinoso com menores de 14 anos, com pena de 8 a 15 anos de cadeia.

As cenas compartilhadas nas redes sociais chegaram ao conhecimento da Polícia Civil, que as encaminhou à Justiça. O juiz, por sua vez, decretou a prisão de Antonia e Lindineia por tortura e lesão corporal. Elas estão presas preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Franco da Rocha, na região metropolitana.

A polícia e o Tribunal de Justiça (TJ) não confirmaram se as presas constituíram advogados para defende-las.

Durante seu interrogatório à polícia, Antonia se reservou ao direito de permanecer em silêncio. Lindineia negou a agressão a menor e de ter ajudado a amiga a expor a vítima nua na rua, apesar de as imagens gravadas por elas mostrarem o contrário.

Trauma
A menina relatou o trauma sofrido. “Começaram a me bater. Ela e a amiga dela começaram a me bater. Aí eu fiquei com medo”, contou a estudante à equipe de reportagem. “Falou que ia mandar andar pelada na rua. E se eu falasse para alguém, ela ia me matar.”

“Elas me obrigaram a tirar a roupa. Na rua, ali na rua. Pelada, eu pedi ajuda para o menino. O menino falou que não podia me ajudar. E um monte de gente via e ninguém me ajudou”, recordou a garota.

“Filmaram. Mandaram para um monte de gente no Whats [WhatsApp], no Facebook. E os outros me via [sic] na rua e ficava [sic] me zuando”, comentou a garota, que voltou a frequentar as aulas do ensino fundamental e está passando por tratamento psicológico.

Vídeos
Nos dois vídeos, que totalizam 4 minutos e 24 segundos, e estão sendo compartilhados nas redes sociais, Antonia e Lindineia aparecem obrigando a estudante a tirar a roupa.

Enquanto as duas mulheres se revezam nas filmagens que são feitas com um celular, a garota tem os cabelos puxados, recebe tapas no rosto e leva pancadas na cabeça com uma ferramenta usada para cavar.

Enquanto Antonia puxa a menor pelos cabelos, a obrigando a andar pelada pelas ruas, Lindineia filma. “Você está apanhando por quê?”, pergunta Lindineia à adolescente. “Porque eu tô errada”, responde a garota.

A menor ainda é ameaçada se vir a se encontrar com o marido de Antonia quando ele deixar a prisão.

‘Brutalidade’
O delegado Raphael Zanon, do 75º Distrito Policial (DP), Jardim Arpoador, onde o caso foi registrado e investigado, declarou que “esse tipo de conduta nos salta os olhos pela brutalidade”.

Questionado pela equipe de reportagem, Luiz Carlos dos Santos, membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), informou que o órgão irá acompanhar o caso.

“A Comissão de Violência do Conselho não tolera esses tipos de atos, e exige que autoridades também sejam ágeis em punir tal crime”, disse Santos.


Fonte: noticias.oolho.com / Com informações do G1